Adilson José Colombi
Filho
de Rosa Teresa e José Colombi. Irmãos: Maria, Dionizio, Agatha,
Estevam, Matilde, Rosa, João, Francisco, Lino (falecido, ainda com 3
meses de vida), Luiz. Padre Adilson é o décimo, portanto o penúltimo.
Como foi a educação recebida dos Pais?
Meus pais eram pessoas simples, lavradores, com pouca instrução,
mas sábios. Educaram seus 11 filhos, 10 vivos, tendo como ponto de
referência uma escala de valores, constituída por valores humanos e
cristãos, herdada dos seus pais, provenientes da cultura bergamasca e
trentina do Norte da Itália. Além dos próprios filhos, ainda ajudaram a
educar mais seis meninos de outras famílias, que os consideravam como
filhos, oferecendo-lhes, sobretudo, a possibilidade de estudar.
Uma lembrança positiva da infância?
A vida simples, em contato com a natureza, em família unida,
querida e prezada por todos. Tanto assim que o pai e a mãe eram
chamados de ‘zio’ e “zia” (tio e tia, em italiano), mesmo sem ter
parentesco algum.
E da juventude?
Minha juventude, a vivi no seminário de Corupá/SC. Ingressei no
seminário com 12 anos e meio. Lembro, até com saudade, o coleguismo, a
amizade, a convivência saída com os colegas. Sobretudo, os da minha
turma. A pedagogia educativa se servia dos critérios da época. Hoje,
certamente, discutíveis. Sem dúvida, a grande “loteria” ganha foi e é a
sólida educação e formação, lá, fornecida e assimilada. Onde será, que,
hoje, um jovem tem a oportunidade de vivenciar uma formação
humanística-clássica deste naipe?
Seus estudos?
Sou, de fato, um privilegiado. Pois, desde que ingressei na
escola com 6 anos e meio, só tive bons e ótimos professores. Houve
algumas exceções. Poucas. De Botuverá à Pontifícia Universidade
Gregoriana de Roma, Itália, foram vários cursos. Primário (Botuverá/SC),
Ginasial e Colegial –Clássico (Corupá/SC), Noviciado (Jaraguá do
Sul/SC), Filosofia (Brusque/SC0, Teologia (Taubaté/S.P), Licenciatura em
História (São Paulo/Capital), Bacharel em Filosofia (UFSC),
Licenciatura em Filosofia (São João Del Rei/MG), Doutorado em Filosofia
(Roma, Itália). Todos de elevado nível. Por isso, considero-me, repito,
um privilegiado e agradeço sempre a Deus.
Como surgiu sua vocação para Padre?
Creio que a graça de Deus supõe o ambiente natural. Os ambientes
familiar, comunitário – vida eclesial da paróquia de Botuverá na época,
escolar e educacional da época favoreceram, sem dúvida, grandemente na
decisão de assumir esta proposta de vida.
Em que Paróquias exerceu seu ministério sacerdotal?
Fui ordenado presbítero (sacerdote), em 07.12.1969, em Brusque,
junto com o diácono Murilo S. Ramos Krieger, hoje, arcebispo da
Arquidiocese de Florianópolis. Exerci o ministério presbiteral em
Taubaté e São Paulo, capital, em 1970. Em 1971, fui transferido para
Varginha, Sul de Minas, onde permaneci até 1978. Em janeiro deste mesmo
ano, fui para a Paróquia do Méier, zona norte do Rio de Janeiro. E, em
setembro do mesmo ano, fui enviado a Roma para realizar o curso de
preparação para o magistério de Filosofia, na Pontifícia Universidade
Gregoriana. Lá permaneci por dois anos e meio –dois anos em Roma e meio
em Paris (França), tempo em que elaborei e defendi a tese de
doutoramento em Filosofia, cujo título é: “ O problema da libertação da
pessoa humana, na Antropologia Personalista e Emamanuel Mounier” (E.
Mounier, filósofo personalista francês, nasceu em 1905 e faleceu em
1950). Em 1981, vim para Brusque para lecionar Filosofia onde até hoje
trabalho no Ensino Superior e na Paróquia São Luiz Gonzaga. Foi a
necessidade de professores de Filosofia que me trouxe a Brusque.
Falei um pouco de sua vida no Magistério
Leciono porque gosto daquilo que faço. Se os meus alunos
gostam... alguns dizem que sim! É cansativo. Mas, observando o
crescimento e a maturação dos estudantes ao longo do curso de Filosofia,
por exemplo, onde leciono atualmente, é gratificante perceber os
avanços e progressos. Sempre considerei o Magistério como um “areópago”
onde se pode debater, propor, aprofundar, vivenciar valores humanos e
cristãos que auxiliam na construção de uma sociedade e uma cultura mais
justas, fraternas e solidárias.
Por que tantas pessoas estão com depressão? Alguns jovens ainda?
Depressão, estresse, esgotamento nervoso... segundo se diz não há
uma causa específica, mas um conjunto de causas. As mais variadas.
Parece-me que algo como: trabalho excessivo e mal planejado, má
alimentação, perda de sentido ou razão para viver, grandes decepções ou
derrotas afetivas , ódios, falta de perdão, excesso de álcool e outras
drogas, vida conjugal em desarmonia constante, situação
econômica -financeira ... tem muito a ver com esses males, que, hoje,
chamamos depressão.
Como é o seu lazer?
Lazer? Bem, meu lazer é a leitura. Desde jovem, no seminário,
sempre fui afeito a devorar livros, revistas, jornais. Um dia sem poder
ler algo não é fácil vivê-lo. Não sou muito dado a leituras de ficção.
Prefiro os conteúdos de História, Psicologia, Antropologia, Filosofia e
Teologia. Aprecio muito boa música. Sobretudo, a erudita ou clássica e
gregoriana. Sem menosprezar, a folclórica ou referentes às etnias
italiana e alemã. Gosto de assistir um bom jogo de futebol pela TV ou um
bom filme.
O Brasil tem jeito?
Tem! Mas, nós, os (as) brasileiros (as), temos que mudar
bastante. Creio que uma das mudanças mais urgentes seja aprender a
votar, isto é, a saber escolher nossos dirigentes políticos. Pois, todos
os escândalos descobertos - quantos que não foram!: mensalão,
mensalinho, sanguessuga, dossiê... na sua maioria são obras de
políticos, eleitos ou de pessoas por eles indicados para cargos de
confiança. Não adianta muito combater o efeito, se a causa permanece
presente e atuante. Para isso, se faz necessária nova visão e orientação
da política, sobretudo partidária, começando pela formação de partidos
políticos e não de siglas, apenas. Claro que todos nós temos que achar
um jeito de sair deste acomodação geral e engolir, passiva e
continuadamente, a impunidade vigente, em quase todos os setores de
nossa vida sócio-cultural, sem esboçar uma reação razoável. É preciso
saber pressionar, por todos os meios legais, os responsáveis por esta
situação para que tenha um “basta” definitivo a impunidade em todos os
casos, sobretudo, a que protege os corruptos e corruptores.
Já pensou em escrever um livro?
Já! Tenho alguns na mente. Outros já estão mais ou menos
esquematizados. Como sempre, porém falta o precioso tempo. Quem sabe
depois de me aposentar!
Com a saída da mulher do lar para o mercado de trabalho, os filhos estão perdidos?
Sem dúvida, a entrada da mulher no mercado de trabalho e de
negócios, tirou-a ou afastou-a do ambiente familiar. Tal fenômeno trouxe
conseqüências altamente benéficas. Mas, também, maléficas.Tanto para a
mulher, como também para a feminilidade, para a família, para o ambiente
sócio-cultural em geral. Hoje, já se tem larga literatura e estudos a
disposição que analisam tal situação e condição da mulher. Agora,
depende não só da mulher , mas dela, da família, da sociedade encontrar
os melhores caminhos para situar-se e integrar-se nesta nova realidade
sócio-cultural, que surgiu a partir deste fato.
Referências
- Jornal Em Foco. Entrevista publicada aos 30 de junho de 2004.
Gianmário Pellegrinelli
GIANMÁRIO PELLEGRINELLI Uma apresentação?
Meu
nome é Gianmario Pellegrinelli. Sou o caçula de uma família de
camponeses (meeiros), constituída por onze irmãos e irmãs. Tive origem
neste ambiente rural e fraterno – sendo filho de Alessandro e Pasqualina
Gotti; nasci na cidade de Bérgamo, Itália aos 14 de agossto de 1948.
Fui ordenado Padre no dia 07 de dezembro de 1979, na cidade Natal do
Papa João XXIII – Sotto II, Monte Bérgamo
Como foi a educação recebida de seus pais? Como eram seus pais?
A educação na família foi um tanto rígida, mas prevalecia a
bondade da mãe educadora na fé e na formação humana. Éramos de família
numerosa de camponeses. Nos alegrávamos muito com as festas natalinas e
de páscoa. A educação religiosa se dava na família e nos ambientes da
Paróquia. Tínhamos um padre especificamente dedicado à juventude. Ele
era nosso ponto de referência. As práticas religiosas (missas, rosários,
catequese etc) era de suma importância na vida familiar, certamente
minha vocação sacerdotal tem muito a haver com isso. Na minha família
não tínhamos padres, mas meus pais rezavam sempre para que tivessem um. E
assim foi.
Como amadureceu a vocação missionária e sacerdotal?
Nas instalações Paroquiais havia um lugar reservado às crianças e
juventude para a formação e diversão. Tínhamos o sacerdote que nos
orientava, tornando assim o ponto de referência. Eram sacerdotes
dedicados que não mediam sacrifícios e estavam disponíveis o tempo todo.
Muitos jovens e crianças optavam para a vida religiosa e missionária.
Na minha aldeia havia somente a Escola Primária. Para o Ginásio
precisava ir à cidade vizinha, mas meus pais não tinham condições para
enviar-me e assim parei no quinto ano primário, para poder ajudar os
pais na roça. Com 15 anos fui trabalhar como aprendiz eletromecânico até
aos 18 anos. Foi nessa época que estava procedendo dar uma resposta aos
meus anseios vocacionais.
Alguma dificuldade inicial?
Pensava de ser um sacerdote missionário, mas tinha a dificuldade
de me expressar devido a gaguice – que acompanhava desde criança. Havia
também o problema dos estudos (nunca fui bem sucedido), mas sendo que é
Deus que chama para a vocação tive oportunidade de conhecer um leigo
missionário que trabalhava há tempo pleno na África. Ouvi de seu
testemunho , numa reunião de jovens da Paróquia, decidi de ingressar na
comunidade missionária de leigos do PIME e depois de 8 anos de estudos e
formação religiosa, parti para a missão de Macapá, para trabalhar na
escola profissional de missão.
Então o sonho de criança foi realizado?
Sim, meu sonho de criança era de ser bom, alegre e dados com
todos. Queria ser padre e missionário. Mas, tinha um problema era muito
gago, quase não conseguia falar. Nos meus estudos ficava atrapalhado,
mas na escola sempre consegui passar de ano, com muito esforços e
dedicação. Eu tinha quase inveja dos colegas mais saídos, eles tinham
muita admiração pela minha teimosia de aprender. Eles mesmos confirmaram
isso no dia que fui ordenado Padre. A gaguice acompanhou-me por muitos
ano, até depois de padre, mas nunca desanimei. Sempre encontrei muita
compreensão por parte do povo quando escorregava um pouco. Hoje sou
vencedor também desta luta.
Como surgiu a religiosidade... a vida missionária? Como foi a
vinda de Bérgamo(Itália) para o Brasil, mais precisamente Macapá? Como
surgiu a Paróquia de Águas Claras no seu caminho de evangelização?
Meu chamado a vida missionária se deu no encontro com um
missionário leigo que trabalhou por muitos anos na Africa. Fiquei
encantado com seu testemunho de vida e logo fui me preparando para as
missões. Era o ano de 1966, e eu tinha 18 anos, quan do retomava os
estudos. Com 26 anos deixei a Itália e fui trabalhar na escola
profissional na cidade de Macapá. Nos fins de semana visitava as
comunidades ribeirinhas e ali vendo a necessidade religiosa do povo
decidi ingressar no seminário para os estudos teológicos. Não tendo a
possibilidade de estudar em Macapá fui transferido para a cidade de
Londrina, aonde trabalhei como Padre por 27 anos. Fiquei 16 anos em duas
Paróquias da periferia, 8 anos numa Paróquia rural e anos no Seminário
de Teologia como Padre espiritual. Depois passei dois anos na Itália,
para prestar um serviço em Paróquias.
A vida pastoral e o Seminário em Londrina?
Em Londrina trabalhei nas periferias e na área rural. Foi um
tempo abençoado e rico de experiências pastorais. Só tenho que agradecer
muito o Senhor e ao povo a mim confiado. Tive sempre bons colaboradores
que ensinaram-me a como bem exercer meu ministério sacerdotal no
Brasil. Gosto muito do trabalho da Igreja no Brasil. Ele é muito
completo e não cuida somente da almas, mas interessa-se pelos problemas
do povo (Veja as campanhas da Fraternidade). Também gosto da festividade
do povo alegre e esperançoso e fraterno.
E como surgiu a musicabilidade em sua vida religiosa?
O gosto pela música vem de criança e da família – a música sempre
foi parte da minha vida, sobretudo aquela alegre que traz vida. Desde
criança costumava a cantar nas ruas de minha aldeia, todos me conheciam
como cantarino. Aprendi a não se preocupar de cantar para fazer bonito,
mas para ficar alegre em boas companhias. É claro, que depois a gente
acaba de gostar de música e do canto. Nunca perdi uma ocasião de cantar e
compartilhar a alegria. Todos da minha família são um pouco assim!
Comigo foi um pouco mais, talvez para suprir as falhas que tinha quando
falava. Na vida da comunidade missionária sempre me saia bem, porque,
com muita alegria e canto mantinha alegre todo mundo. O mesmo aconteceu
nas Paróquias aonde passei. Muita gente gostava de convidar-me nas
festas de aniversários. O povo queria que gravasse os cantos que
normalmente cantava e assim, na ocasião dos meus 25 anos de sacerdote
editei dois Cds. Um sobre a história da minha vocação e outro sobre
minha infância.
O que poderia ser dito sobre os talentos e os tesouros espirituais que Cristo dotou o homem?
A respeito dos talentos penso que todos nos temos muitos, mas
talvez sejam escondidos ou não deixamos que os outros descubram em nós.
Às vezes, por preguiça preferimos mantê-los escondidos para não nos
comprometer-nos na vida. Neste caso pecamos de covardia e conta o
Espírito Santo, Sobre os dons e tesouros espirituais acredito seja muito
importante descobri-los em nós, para que produzam frutos em abundância.
Eles devem estar ao serviço da comunidade. Cada um deve ser feliza por
aqueles que têm. Não deve perder tempo, lamentando e tendo ciúmes por
não ter dons que vê nos outros. É precisos fazer frutificar aqueles que
em nós, talvez foram abafados pela educação, repressão etc
Quais as parábolas que gosta de mencionar? Quais as essências inseridas nelas?
Gosto de todas as parábolas, mas destaco aquelas que falam da misericórdia, perdão e, do tesouro encontrado.
Um homília bem planejada acrescenta a participação dos fiéis?
Costuma prepará-las ou faz de improviso, pelo conhecimento e pela
experiência?
Não tem dúvida que uma homília bem preparada suscite mais
interesse do povo que participa da celebração. A homília deve ser
catequética e deve levar a uma vivência mais profunda da fé. Eu a
preparo mentalmente, mas não consigo por escrito. Perco toda a minha
espontaneidade e acabo de não dizer tudo aquilo que desejo dizer. Não
tem dúvidas que uma homília bem preparada acrescente a participação dos
fiéis. Ela deve ser simples e direta. Curta e que toque o coração das
pessoas. Cada Padre tem seu jeito de comunicar e este é um dom que o
Padre deve ter. Eu gosto da espontaneidade e ter na cabeça que quero
dizer. Se colocar algo por escrito vou me perder.
Por que os jovens estão caindo na depressão?
Ao meu ver a depressão ataca todo mundo por dois motivos: 1) Constitucional - que depende do nosso organismo. Diante de um fato uma pessoa reage de um modo e outra de uma outra maneira; 2) Circunstancial
– de momento que se vive a própria vida e dos valores e contra-valores
assumidos. Quando os dois motivos da depressão se entrelaçam é um – Deus
me acode! O assunto depressão é complicado – existe uma depressão que
resulta do tipo de vida que estamos levando, incluindo a falta de
valores e valores invertidos – um não senso da vida – e uma outra que
está ligada a estrutura biopsíquica. Muitas vezes, as duas se entrelaçam
e se fortalecem deixando marcas profunda na pessoa.
A mulher, hoje, mormente aquelas que têm curso superior,
utiliza mais da metade do tempo de sua ocupação profissional com
conversas: programas de TV (baixarias), com suas aventuras sexuais , com
a pretensão de colar silicone e com lifting nas coxas, não respeitando a
presença do homem, coisa, que os homens jamais fizeram. A Igreja pensa
em fazer alguma coisa para tentar reverter, um pouco, tantas futilidades
e falta de respeito?
A respeito da baixaria e exploração do sexo na TV, internet,
jornais etc é um caso sério, mas é preciso de um diálago com as novas
gerações. É questão de escala de valores ou de valores invertidos. Só
repressão não resolve. É preciso formação para motivar as novas
gerações. A respeito da moral do comportamento humano na nossa sociedade
e dos meios de comunicação, a Igreja defende os princípios evangélicos
com toda razão. Acredito que não seja pela repressão que se resolve este
problema. É preciso trabalhar na educação dos valores e princípios na
escola, na família e na sociedade. Isso significa ir contra a corrente e
tornar-se impopular.
Se fosse recomeçar?
A vida é uma s. Dentro das minhas possibilidades,
condicionamentos e falhas humanas. Fiz o que pude fazer e, estou feliz
de ter feito aquilo que estou fazendo. A criatividade de vida é deixada
por nossa conta. Cada vida tem por trás uma história. Se eu voltasse a
viver outra vez, e tivesse as mesmas condições faria as mesmas coisas
com todo entusiasmo e fé. Sou feliz de estar dando ao mundo esta minha
contribuição.
Finalizando, costuma ler jornais?
Nunca fui assíduo leitor, sobretudo de jornais diários. Gosto mais de livros e revistas
Referências
- Matéria publicada em 10 de janeiro de 2009.
Gianfranco Vianello
PADRE GIANFRANCO - EVANGELIZAÇÃO
Primeiramente fale de suas origens, familiares, primeiro emprego
Sou italiano, vivi na pequena cidade de Cinisello Balsamo – 100 mil
habitantes – na cintura da grande metrópole de Milão – como se fosse
Santo Amaro em São Paulo. Meu pai foi trabalhador numa pequena oficina
mecânica; minha mãe foi sempre uma dona de casa; minha irmã, falecida
com 39 anos, trabalhou numa firma perto de casa, e eu também comecei com
15 anos, um trabalho, numa grande fábrica em Milão, que produzia
máquinas para tinturas de tecidos – 350 empregados. Aos 20 anos decidi
de ingressar no Seminário Missionário do PIME. Fui ordenado Padre na
Catedral de Milão, no dia 28 de junho de 1972.
A grande decisão na vocação religiosa?
Naquela época, bastante agitada pela revolução cultural
acontecida na Europa, nos idos de 1968, com as movimentações dos
estudantes, iniciada na França e que se alastrou por toda a Europa, e
bastante entusiasmada pelo evento do Concílio Vaticano II, que abriu a
Igreja a uma visão do mundo e na compreensão da evangelização colocada
muito mais perto do povo, se envolvendo nos caminhos sociais, culturais,
econômicos, também, a religiosidade das famílias e das comunidades
cristãs, foram obrigadas a uma avaliação da sua própria fé. Um outro
acontecimento, está ligado a minha experiência de educador no movimento
dos escoteiros italianos. Sendo responsável de uns quarenta adolescentes
e enfrentando sempre os problemas deles – e todo mundo sabe, conhece,
experimenta a turbulência e as dificuldades que enfrentam – com todo o
acompanhamento pedagógico, metodológico, religioso do caso, que só Deus
conhece e pode educar o coração das pessoas, que os jovens precisam de
Deus, que só Ele tem as palavras certas para soprar neles a vida, a
beleza, o amor. Nós, como educadores, somos simples – e às vezes,
complicados – instrumentos para ajudar a alcançar a meta da maturidade
cristã e, da visão cristã da existência. Então eu me disse: talvez não é
isso que eu deveria fazer, transmitir a presença de Deus na vida deles?
E o pensamento foi imediato: o Padre tem esta possibilidade! E assim
foi.
Qual foi a reação de seus pais ao comunicá-los da importante decisão?
Quando avisei da minha decisão de entrar no Seminário Missionário, os
meus pais ficaram um pouco surpreendidos, não tanto minha mãe que me
disse: ‘ eu sabia que você estava pensando nisso!’. O sofrimento a causa
desta minha decisão estava ligado ao fato de que eu me tornava
missionário, isto é, um Padre que vive longe de sua Pátria, de sua
família, sem ter possibilidades para depois ajudar os seus pais; e,
ainda, a preocupação de encontrar nas missões situações difíceis pela
saúde e a possibilidade de encontrar também a morte.
Como surgiu a África em sua jornada missionária?
Depois da minha ordenação recebi a destinação para trabalhar em
Camarões. Grande foi minha alegria, porque a África, no seu mistério, na
sua pobreza, na sua realidade ambiental, estava em cima dos meus
pensamentos. Fui em Paris para estudar a língua francesa e participar de
um curso sobre o Islamismo, no “Institut Catholique de Paris”. Cheguei
na Savana do norte de Camarões e começamos a construir as nossas
pequenas ‘casas’ de areia e palha, cada dia preparando os tijolos e
recebendo depois, como presente da tribo, onde estávamos, um telhado de
palha bem construído por cada um dos três Padres recém-chegados. Não
existia para nós a eletricidade e pela água nós utilizamos um poço. A
aldeia, muito pequena, era em realidade de religião Islâmica, mas o
chefe nos concedeu de colocar a nossa missão a quase dois quilômetros
fora da aldeia.
Como fluiu o clima entre católicos, islamitas e as tribos?
O clima entre nós, católicos, os islâmicos e a gente da tribo dos
Toupuri – animistas – foi muito bom. E começamos assim a nossa obra de
evangelização. Depois me chamaram no sul do Camarões para trabalhar com
os jovens da missão. Foi um pulo enorme, a respeito do Norte. Lá era
plena floresta, com rios, árvores enormes, e também a maioria do povo
era batizada nas diferentes confissões religiosas – católicos,
protestantes, evangélicos, testemunhas de Jeová. Permaneci lá por sete
anos. Depois, em virtude da malária, voltei para a Itália, onde assumi
alguns serviços à nível do PIME.
Como foi o retorno à Itália?
Por alguns tempos fui o redator de uma revista “Misssionari del
Pime”, irmã da Missão jovem, revista do PIME feita pelo Padre De Coppi,
em Florianópolis; depois assumi a responsabilidade do Centro Cultural do
PIME em Milão; naquele tempo trabalhei na diocese de Milão
nos vários organismos da Cúria –Ecumenismo, Cultural, Missionário – e
fui responsável da Comissão diocesana “Missão Ad Gentes e Diocese”,
criada pelo Sínodo Diocesano que durou um ano inteiro. O Cardeal Carlo
Martini, arcebispo da cidade, me nomeou Presidente da Comissão, com a
tarefa de guiar trinta componentes na reflexão, das responsabilidades da
diocese, respeito à Igreja Universal. Foi um trabalho interessante e
útil, considerando que a Assembléia Sinodal contava com 900 Padres
sinodais. Em seguida, fui eleito na Direção Geral do PIME e trabalhei em
Roma por seis anos, visitando naquele período as missões do PIME,
espalhadas pelo mundo.
E a vinda ao Brasil?
Em 2005 solicitei voltar novamente a trabalhar nas missões. A
primeira opção foi outra vez a África, mas os médicos me
desaconselharam, em virtude da malária, então escolhi o Brasil, já que
tive uma belíssima impressão anos atrás quando o visitei. Foi assim que
cheguei em São Paulo, onde trabalhei numa Paróquia que o PIME tem em
Santo Amaro. Um dos principais trabalhos foi de seguir os jovens do
Cespat, um escola profissional que o Padre Maurílio fundou e está
seguindo, ajudando na formação das turmas. Foi uma experiência muito
boa. Depois de três anos, lá trabalhando, cheguei aqui em Brusque, em
fevereiro de 2008, mais precisamente na Paróquia de Águas Claras.
Algum trabalho específico em relação aos jovens?
A experiência que estou fazendo com os jovens na Comunidade de
Águas Claras é simpática e ao mesmo tempo complexa. Todos conhecem as
dificuldades em educar os filhos nos diversos âmbitos, notadamente na
educação religiosa.
E a mentalidade individualista?
A pouca sensibilidade nos interesses fundamentais, respeito à
vida, a convivência social, o relativismo, que a cultura de hoje, é o
sopro. Inspirador de todas as escolhas, além de acentuar uma
mentalidade individualista – e egoísta – muitas vezes, a falta de
coragem educativa, a mídia que veicula uma visão superficial e
instintiva da existência humana; um tipo de cultura que prescinde dos
valores religiosos, tudo isso contribui para dificultar a pastoral. Uma
outra dificuldade, em geral, é constituída pelo fato que também os
jovens que participam – quando participam – à vida da Igreja, queimam
esta presença, na maioria, somente na participação da Missa e nada
mais.
E então cruzamos os braços?
Não, apesar desta realidade que vivenciamos, é o campo para
trabalhar, sem se escandalizarem, se subtrair das responsabilidades na
constante busca de meios, métodos e lugares que favorecem o
amadurecimento dos jovens, que deverão enfrentar as tarefas sociais,
familiares, políticas, religiosas com vistas ao seu próprio futuro.
Quais as parábolas que gosta de mencionar? Qual a essência inserida nelas?
Eu gosto de viver tudo isso. É por isso também a minha parábola
preferencial é aquela da semente jogada no campo, que encontra todo tipo
de terreno (Mt.13,1-24) pedregoso, espinhoso, bom. É o caminho da
Palavra de Deus, que tem a sua própria e divina energia, mas ela está
confiada também nas mãos dos semeadores, que são os pais, os educadores,
os catequistas, os Padres. Esta nossa tarefa hoje, precisa de muita
atenção, sensibilidade, vigilância, fortaleza, conhecimento para colocar
a semente e individuar o joio semeado pelo inimigo da vida. Assim,
A minha parábola preferida é aquela do semeador que sai e joga a
semente em todos os lugares, para dizer que Deus não espera as nossas
condições e disponibilidades para se mover ao nosso encontro.
Uma homília bem planejada, acrescenta a participação dos
fiéis? Costuma prepará-las ou faz de improviso, pelo conhecimento e pela
experiência?
A respeito da homília, tenho o costume de prepará-la, bem antes
de sua pregação, tomando o tempo para refletir sobre o texto, de um
ponto de vista exegético, para atualizá-la aos dias de hoje. Algumas
vezes, preparei na presença de alguns adolescentes, foi muito bonita.
A experiência com os escoteiros?
Uma experiência muito bonita foi também aquela de me tornar
responsável nacional dos escoteiros da Itália: realizamos, naqueles
anos, um encontro muito bonito de 15 mil jovens escoteiros (16 a 25
anos) que viu o Papa João Paulo II, como visitante ao nosso acampamento,
encerrando depois com a celebração Eucarística aquele evento. Na
Itália, sempre e só me ocupei dos jovens sem ter responsabilidade nas
Paróquias, pois o PIME, na Itália, não tem como própria responsabilidade
o cuidado das Paróquias.
Com a saída da mulher para o mercado de trabalho, como ficam as crianças?
O trabalho das mulheres, coloca na vida da família uma variante
de grandes conseqüências pela educação dos filhos e a harmonia familiar.
Do resto, as exigências econômicas são tão grandes que provocam uma
forte obrigação de trabalho para sustentar as necessidades da família.
Um equilíbrio entre tempo de presença na família fica fundamental.
Poderia ser não tanto pelo tempo cronológico, mas pelo tempo afetivo e
educativo que deveria ser utilizado para não criar um vazio perigoso na
educação dos filhos.
A mulher atual utiliza mais da metade do tempo de sua ocupação
principal com conversas pertinentes as baixarias dos programas de TV,
com suas aventuras sexuais, utilizando-se da máxima de que são
inconstantes por serem sinceras consigo mesmas. A igreja pensa em fazer
alguma coisa para tentar reverter um pouco tantas futilidades?
Um afastamento do bom senso e uma correria à futilidades quebra,
sem dúvida, aquela linha educativa que aponta aos valores fundamentais
da vida no matrimônio e no relacionamento com os filhos. No terreno
educativo as palavras servem só para explicar os gestos. Mas se os
gestos são em si mesmos, sem valores, sem força projetual, não produzem o
discernimento e a busca das coisas fundamentais. Deixando de lado o
esbanjo de dinheiro e a coerência com o evangelho.
Por que os jovens estão caindo na depressão?
A depressão tem como raiz a frustração, isto é, a não realização de uma finalidade. Mas a finalidade deve ser possível, positiva e gradual; e tudo isso não faz parte da nossa cultura dos jovens que pretendem tudo, imediatamente e ao máximo.
Costuma ler jornais?
Sim, costumo ler jornais, mesmo se a minha cabeça está mergulhada
nas buscas bíblicas e de livros formativos – talvez, conseqüência do
costume de trabalho educativo que tenho na minha experiência. Além de
alguns livros que escrevi na Itália pelos jovens. Inclusive, uma
coletânea homilética. Hoje participo, escrevendo artigos, cada mês, na
nossa revista Missionário do PIME, “Mundo Missão”. Revista que
apresenta, através de experiências, reflexões, documentos, o caminho da
Igreja no mundo.
Referências
- Matéria publicada em A VOZ DE BRUSQUE, na semana de 23 a 28 de fevereiro de 2009.
Silvino Hoepers
PADRE SILVINO HOEPERS, scj:
Filho de José Fernandes Hoepers e Leooldina Feuser Hoepers; natural de
Vargem do Cedro, São Martino/SC, nascido aos 10.01.1948; São em nove
irmãos. Ordenado Padre em 10.12.1977.
Onde fez os estudos?
Fiz o ginásio e segundo grau em Corupá, Noviciado em Jaraguá do
Sul, Filosofia em Brusque, Teologia em Taubaté/SP, e fui ordenado Padre
na Paróquia São Judas Tadeu em São Paulo.
Como surgiu a religiosidade e o caminho da Igreja?
A vocação surgiu na infância, principalmente, porque gostava
muito das missas cantadas em latim. No meu povoado se reza muito pela
vocações.
Cidades em que trabalhou?
Trabalhei de 1978 a 1981, em Brusque, de 81 a 83, em Boa Vista do
Buricá (RS), de 84 a 91, em Penha (RJ), de 92 a 99, em Araruna (PR), de
2000 a 2002, São Judas Tadeu (SP) e de 2003 a 2006, estou em Brusque.
Alguma cidade o cativou mais?
O primeiro amor que foi Brusque.
Como vê a fé do cidadão, nos dias atuais?
Apenas 20% dos católicos conservam sua fé firme em Jesus morto e
ressuscitado, os demais estão apegados ao materialismo e não escutam a
voz de Jesus na Igreja.
Padre Léo é fora de série?
O Padre Léo é fora de série, mas mesmo assim muitos não gostam dele, imagine os outros em série.
Qual parábola de Jesus, cabe bem nos dias atuais?
A parábola que cabe bem para os nossos dias é a passagem (Lc
13,23-24) “Alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que irão se
salvar? Jesus lhes disse: esforçai –vos por entrar pela porta estreita,
porque eu vos digo que muitos tentarão e não conseguirão” A salvação não
é brincadeira. E muitos estão procurando facilidades, prazeres e
materialismo.
O Brasil tem acerto?
O Brasil tem acerto, se acabarem com a corrupção e o brasileiro novamente seguir os mandamentos de Deus.
A mulher lutou séculos para deixar de ser objeto, agora,
quando consegue uma popularidade, já vende o corpo para revistas
masculinas, não tornaram-se mais objetos do que eram? Como a Igreja vê
tal comportamento?
Quanto a mulher, é a criatura mais preciosa que Deus os deu, pois
cada um tem sua mãe, até Jesus acolheu a sua mãe. O que mais se fala da
mulher, é conseqüência do mundo machista, em que ainda vivemos. A
mulher ainda não conseguiu se livrar do mundo machista, que ainda a faz
objeto. E ela, mulher, é criatura mais semelhante de Deus.
Referências
- Jornal Em Foco. Matéria publicada na semana de 23 a 30 de novembro de 2006.
Vandanam Raju Koppula
VANDANAM RAJU KOPPULA, popular Padre Raju:Apresente-se: fale de sua origem, familiares, local e data de nascimento
Eu
sou Vandanam Raju Koppula, venho da Andhra Pradesh, Índia. Nasci aos
01.07.74. Índia é um pais grande com 28 estados. Na Índia a maioria da
população é hinduísta. Mas tem a presença de outras religiões. É um país
rico em espiritualidade e cultura. Meus pais: Sanjeeva Rao e
Martathamma; minha ordenação ocorreu em Jalapavari Gudem, Índia, em
08.12.2005. Atualmente, Administrador Paroquial de São Judas
Tadeu, Águas Claras.
Como surgiu a religiosidade em sua vida? Havia algum antecedente na família?
Desde
pequeno tinha vontade de entrar no Seminário para ser Padre. Frequentei
até a quinta série na minha vila, e para continuidade ao meu estudo eu
deveria ir para a cidade mais próxima para estuda na escola do governo –
escola pública. Contudo, pedi a meus pais para estudar numa escola
católica, porque o seu ensino era melhor. Alem da distância de 120 km, a
mensalidade era alta e se tornava difícil o pagamento. Meu pai me
deixou livre para tomar a decisão, mas a minha mãe não concordava devido
à distância. Eu morava em um pensionato próximo a escola e só voltava
para casa nas férias. Gostava da escola e de servir como coroinha na
Missa cotidiana. Na oitava série, a professora perguntou para a sala: “o
que vocês gostariam de ser no futuro?” Alguns dos meus companheiros
disseram que gostariam de serem engenheiros, médicos, professores,
jogadores etc, porém, eu respondi que desejaria ser Padre e todo mundo
riu, porque no meu país, isto é algo estranho, devido ao fato de que a
maioria dos Padres vinham de outros países. Não tenho nenhum parente que
é Padre. Eu conversei com diretor da escola e, depois, com os meus
pais, depois disto o diretor começou a me tratar de maneira diferente e
meu ajudou e propôs diversos Seminários. Em relação a meus pais, o meu
pais me deixou livre para escolher aquilo que fosse melhor para mim,
mas a mão não concordou porque os missionários vão para longe e Lea
queria que eu cuidasse deles quando fossem idosos, por isso terminei o
ensino fundamental e continuei os meus estudos normalmente, até o
segundo ano da universidade, onde cursava história.
E a concretização da vontade de servir Cristo?
Durante
o curso eu mantinha contato com meu diretor de escola, e com isso o
desejo que eu tinha amadureceu, fazendo com que eu abandonasse o curso
que estava fazendo, pela metade, entrando no Seminário. Foi muito
difícil conversar com meus companheiros da universidade sobre este meu
desejo, demorei a convencê-los. Antes de entrar no Seminário, ajudei
muito a minha avó, a qual me falava do sacerdócio, me ensinando e
acompanhando para escolha de uma congregação missionária, porque na
minha paróquia trabalhavam missionários do PIME.
O que poderia ser dito sobre o mistério de Deus, que envolve a vida dos homens?
Não
é fácil encontrar as palavras para exprimir o mistério de Deus, que
envolve a vida dos homens. Hoje com alegria quero exprimir como tal
mistério está envolvendo sempre mais a minha existência. Depois da
ordenação diaconal em Milão, Itália, na Festa Litúrgica de ‘corpo e
sangue de Cristo’, no ano de 2005, senti que era iminente a ordenação
sacerdotal missionária. Ela representa, de modo quase exemplar, como o
Senhor chama cada homem para segui-lo. Ele transforma os nossos sonhos
no sonho dele. O seu sonho é capaz de construir comunhão, capaz de
formar amizade, capaz de amor, aquele amor que há no gesto Pascal de
Jesus, a essência dele, o seu verdadeiro e autêntico sentido, Aquela
comunhão de amor que é a mesma natureza de Deus trindade. No qual,
ainda, nós somos convidados a participar na missão de Cristo.
Onde ocorreu a ordenação?
Estudei seis anos na Índia e cinco, na Itália, depois fiz um ano
de experiência caritativa com deficientes mentais – crianças e jovens,
isto antes de minha ordenação diaconal- que ocorreu em Jalapavari Gudem,
Índia, em 08.12.2005. Aquele ano - experiência caritativa –me ajudou
espiritual e humanamente.
Por que esta opção pelas missões , se na Índia a maior parte da população não é cristã?
Queria ser um pequeno sinal da minha Igreja de origem no mundo,
porque dela recebi a fé transmitida pelos missionários. “Vinde e
segue-me”, somente quem é seguro de poder produzir a felicidade pode
falar assim. Doze anos atrás, foi quando decidi entrar no Seminário.
Naquele momento, firmei a vontade e procurei livrar-me dos sonhos de
meus pais para servir com todo coração ao Senhor. Mas como me livrar
disso? Há três anos, quando pronunciava a promessa definitiva, senti a
chamada de candidato, senti queimar como o fogo, eu fiquei comovido até
as lágrimas , mas naquele mesmo momento senti a alegria por Deus ter me
chamado e dei graças por ter escolhido um pecador como eu “Contemplai-o
e estarei radiante” (Sal 34,6), escolhi esta frase para o “santinho “ –
lembrancinha – da minha ordenação diaconal, porque penso que fecha o
sonho que Deus tem para mim, mas, seguramente, um sonho de alegria o
Senhor reserva ainda por vós, talvez, com modalidade diferente para cada
pessoa.
Como veio para Brusque? Foi bem acolhido? Paróquias em que atuou?
Para estas três perguntas minha única resposta é Brusque e São
Judas Tadeu. Porque cheguei em Brusque, em 24 de junho de 2005, logo
depois da minha ordenação diaconal, ficando aqui por um período de seis
meses. Em dezembro do mesmo ano foi minha ordenação sacerdotal. Retornei
de novo para Brusque como Padre. Em 2006, fui Vigário Paroquial, desta
Paróquia, depois pela quarta vez fui nomeado como administrador
paroquial de São Judas Tadeu. Encontrei no povo brusquense uma boa
acolhida e muito respeito pelos sacerdotes. Esta amizade e a
religiosidade que me estão ajudando a ser um Padre feliz.
Uma homília bem feita acrescenta a participação dos fiéis?
Costuma escrevê-las ou fazê-las de improviso, pelo conhecimento e pela
experiência?
Uma homília bem feita acrescenta sempre interiorizar e
intensificar o que se passou no Evangelho. Frise-se que, o bom fiel,
participa das celebrações para ouvir a palavra do Senhor, aquele que
deseja ouvir uma boa homília, não é um verdadeiro cristão. As homílias
são sempre escritas, até porque um Padre precisa estudar para pregar a
palavra de Deus estar preparado para as celebrações. O momento da
homília é o momento em que o Padre fala em nome de Deus.
Uma parábola que gosta de lembrar?
A parábola que eu gosto de lembrar é do jovem rico –Lc 18, 18-22.
Qual a essência inserida?
Nesta parábola, o protagonista é alguém que se dizia também
jovem como vocês, que observou sempre os mandamentos. Têm grandes
ideais, tem grande desejo de fazer sempre o melhor. No fundo, ele se
assemelha muitas vezes com cada um de nós. “Entendera que era rico”. Por
que o jovem queria se encontrar com o Mestre? Queria saber o segredo de
como ter a vida eterna, mas é também o segredo da verdadeira felicidade
já nessa terra. Não se contentava com a vida que estava levando,
deixando-se levar por mil coisas que o rodeavam. Entendeu que a vida
merece ser saboreada e utilizada com coisas grandes.
O que diria sobre Gandhi?
Gandhi é um grande sano do Hinduísmo. Soube viver, todo o ensinamento de Cristo, sem ser cristão - lutar para independência da índia com não violência.
Como ficam as crianças, com a saída da mulher para o mercado de trabalho?
A figura materna é muito importante no seio familiar, ou seja, é
insubstituível, principalmente quando há menores, no entanto, no mundo
de hoje o papel da mulher no mercado de trabalho é fundamental no
sustento familiar.
Por que tantos jovens estão depressivos?
Na maioria das vezes, faltam metas na vida dos jovens, são
apegados aos bens materiais, não conseguindo se desligar dos mesmos para
viver uma vida com projetos voltados para outras atividades, inclusive
a espiritual, que é a principal delas. Desejam fazer mil coisas,
esquecendo da meta principal. Como na parábola do jovem rico, cheio de
idéias boas, procura encontrar Deus, também nossos jovens precisam desta
procura, que lhes dará sentido à vida.
Costuma ler jornais?
Sim, o jornal é forte meio de comunicação para nos colocar em dia
com as notícias locais, ou seja, as alegrias e as tristezas de quem
convivemos. Para mim, é como uma “Bíblia cotidiana”, onde se aprende a
vivência do povo.
Referências
- Matéria publicada em A VOZ DE BRUSQUE, em 10 de outubro de 2008.
João Backmann
Filho
de Dionísio e Terezinha Backmann, natural de Guaramirim, nascido aos
24.3.67. São em 9 irmãos: Vilmar, José, Antônio, Mathia, Marcos, Dorli,
Roseli, Márcia e João. Sacerdócio aos 11.10.1992.
Como foi o início e formação religiosa?
Sendo filho de pais agricultores te aos 15 anos trabalhei na
agricultura, juntamente com eles e com meus irmãos. Aos 15 anos
ingressei no Seminário em Joinville, obtendo formação de Diácono – sendo
que como Diácono atuei no interior de Guaramirim. Estudei filosofia
em Brusque, e os 4 últimos anos de Teologia, na Capital do Estado
–Florianópolis. Em Brusque de 87 a 89, estudei no Seminário Filosófico
Santa Terezinha. Formei-me como Sacerdote , em 11.10.92, tendo atuado,
inicialmente, no Centro de Guaramirim.
Como surgiu o carismático na sua vida?
Na minha formação de Seminarista participava de grupo de
orações-Renovação – sendo que naquela oportunidade já era convidado para
proferir palestras, quando, então, fui ingressando nesta
espiritualidade de carismático.
Como seria a natureza dessa espiritualidade ?
A redescoberta da pessoa viva de Jesus, Como o Senhor e
Salvador, conduzindo a uma nova relação pessoal em Cristo. O reencontro
filial com Deus Pai com muita confiança, muita espontaneidade, muita
alegria. Um sentido novo e um gosto renovado pela oração pessoal e
comunitária. Um novo apreço pela Sagrada Escritura como Palavra viva de
Deus, que converte e transforma. Um amor terno e filial a Maria, e
uma maior compreensão do seu lugar no plano da salvação. Uma profunda
conversão interior e a correspondente transformação de vida. Uma maior
liberdade espiritual e um sentido mais vivo da comunhão fraterna, daí,
um desejo sincero de vivência comunitária, com vistas ao crescimento na
fé e na audácia da evangelização. Um sentido novo e um gosto renovado
pela oração pessoal e comunitária.
Fale-nos de suas atividades junto à comunidade?
Desenvolvo junto à comunidade: Projeto do Albergue e cozinha
comunitária a Bom Pastor para adultos, quando com o auxílio de
benfeitores e colaboradores e, mediante voluntários escalados estamos
conseguindo – alimentar, diariamente, mais de três centenas de almoços.
Também, possibilitando o banho e as higienes desses excluídos.
Projeto da cozinha comunitária Pequeno Rebanho, onde fornecemos almoços
para 52 crianças de 0 a 12 anos, diariamente.
Além da alimentação,oferecem outros serviços à comunidade?
Dispomos de uma máquina manual para fazer fraldas para os idosos
que não dispõe de condições financeiras para adquirir, ou seja,
confeccionarmos fraldas geriátricas para idosos, carentes e acamados. É
operada por voluntários, que se revezam em 4 dias por semana e fabricam
em torno de 50 fraldas por dia.
Quanto a obtenção de recursos?
Programamos algumas atividades visando obter recursos, tais como:
jantar beneficente, no sentido de obtermos recursos para aquisição de
uma máquina elétrica para a Pastoral da terceira idade no Santuário em
Itoupava Norte, onde contamos com mais de 100 idosos cadastrados. A
renda para comprar matéria prima das fraldas sai da venda de sorvetes
caseiros pelos frequentadores do Santuário.
Fato marcante?
Um fato que marcou muito em minha vida foi quando da minha ordenação como sacerdote. Apareceu um mendigo e – após cumprimentar-me e abraçar-me – disse:”Eu também, Padre, sou filho de Deus”, aquele gesto de humildade me emocionou muito. E mais, na despedida disse: “Sejas um padre feliz e que Deus te abençoe”. Como não acredito em coincidências, mas sim na providência divina, aquilo sensibilizou o meu coração em um dia fazer uma casa que pudesse abrigar os mendigos. O fato de aparecer um mendigo na minha ordenação não foi por acaso. Foi porque Deus me chamava para a obra social.
Por que o Senhor se apresenta nas missas do carismático, os Padres do local não aparecem? Eles não deveriam aproveitar do dinamismo dessas apresentações – litúrgicas – para tentar levar os fiéis de volta à Igreja?
É que falta uma renovação na formação dos padres.
Como foi a participação na solenidade de Abertua dos Quadragéssimos quartos (44) Jogos abertos – versão 2003 – na S.E.Bandeirante em 24.10.2003?
Muito positiva. Fui convidado pelo Rubens Fachini e fiquei muito contente com o convite. Proporcionei um ensinamento diferenciado quanto ao ‘fogo simbólico’. Inclusive, fui parabenizado por proporcionar uma visão bíblica e teológica do elemento ‘fogo’.
Um sonho?
O maior sonho que alimento é construir - em Blumenau – uma casa para a recuperação de dependentes químicos e alcoólatras – já tenho até o nome: Projeto Beija-Flor. A inspiração foi na historinha de que pequeno pássaro com seu bico pequenino jogava gota de água no incêndio na florestas, ou seja, cada um deve fazer a sua parte – eu quero fazer a minha através dessas obras sociais.
O Senhor está para ser transferido para Joinville?
Não é verdade, apesar de o Bispo de Joinville, por diversas vezes ter requisitado minha transferência, o Bispo de Blumenau, também, pretende que permaneço naquela comunidade no sentido de dar continuidade aos trabalhos engajados – em andamento – e, em virtude dos feitos já realizados.
Referências
- Jornal A VOZ DE BRUSQUE. Edição de 05.12.03.
Pedro Paloschi
PADRE PEDRO PALOSCHI: Filho de César Paloschi e Ana Bósio Paloschi, natural de Brusque (hoje seria Botuverá), nascido aos 13.11.43. São em onze irmãos: Elza (Costa), Otília (Vanelli), Olívia (Betinelli), Oga (Vaneli), Célia (Bianchesi), Maria (Pavesi), Alzira (Fachini), Terezinha (Schmitz), Padre Pedro, Luiz e Padre Dario. Ordenado Padre em 02.12.70.Onde fez seus estudos?
Em 1956, admissão ao ginásio, em Rio Negrinho/SC, 1957 a 64, ensino médio, em Corupá/SC; 1964, Noviciado, em Jaraguá do Sul/SC; 1965 a 66, Filosofia, em Brusque/SC, 1967 a 1970, Teologia, em Taubaté/SP.
Como surgiu a religiosidade e o caminho da Igreja?
Surgiu de uma somatória: família religiosa – testemunho dos pais- atenção aos coroinhas – Pároco da época, incentivo da Professora primária.
Cidades em que trabalhou?
Trabalhei de 71 a 77, em Cianorte, no Paraná; de 77 a 83, em Brusque/SC; de 83 a 84, em Joinville/SC; de 85 a 93, Vila Maria/SP; de 93 a 94, em Jaraguá do Sul/SC, de 95 a 99, em Terra Boa/PR e de 96 até hoje, em Guabiruba/SC
Alguma cidade o cativou mais?
A cidade que mais gostei foi Cianorte, no Paraná. Meu primeiro lugar de trabalho.
Como vê a fé do cidadão?
Existe muita procura de Deus do religioso. Se vive uma fé intimista e descompromissada. Interpretação fundamentalista da Bíblia. Religião interesseira. Teologia da Prosperidade. Daí o sucesso dos carismáticos.
Padre deveria casar?
Sou a favor do Padre celibatário por opção. Admito a ordenação de homens casados. Portanto, sou a favor de dois tipos de padres.
A mulher, tão liberada, não é uma tentação ? Ela não está confundindo liberdade responsável com liberalidade?
O comportamento liberal da mulher não é uma tentação só para o Padre. Ela é para todo homem. A mulher não pode expor tanto em nome do liberalismo e do machismo. Não confundir liberdade com liberalidade. Liberdade com responsabilidade deve ser o parâmetro de comportamento da mulher. Ela deve ser valorizar como pessoa feita à imagem e semelhança de Deus e evitar que seja tratada como objeto.
Padre Léo é fora de série?
É um Padre muito capacitado. Tem um carisma especial para falar as massas. Tem carisma para trabalhar na obra social como Toxicômanos e dependentes químicos. Faz um excelente apostolado.
O carismático e o sucesso do Padre Backmann?
Admiro o seu trabalho. Tem um carisma para atrair as pessoas. Tenho minhas reservas quanto a algumas práticas religiosas. Muitas curas. Apresenta um Jesus que cura todos os males e doenças (milagreiro). Um Jesus bonzinho que não exige compromisso. Incentiva o fanatismo das pessoas.
O Brasil tem acerto?
O Brasil é um país rico, um país enorme. Poderia ser um dos maiores países do mundo. O mal do Brasil são os políticos corruptos e mau administradores. Apesar de tudo há muita esperança.
Referências
- Jornal Em Foco. Matéria publicada em 28 de janeiro de 2006.
Valcides Wanka
VALCIDES WANKA: Filho dos saudosos Engelbert Wanka Rosa Correa Wanka; natural de Brusque, nascido aos 06.02.45. São em dez irmãos: Francisco, Valcides, Antônio (in memoriam), Norival, Nelson (in memoriam), Bento, Vilmar, Maria Anadir, Júlio e José Nelson; cônjuge: Gertrudes Pradella Wanka, popular Trude, casados em 24.09.66; três filhos: Deise, Glória Alice e Lucas. Torce para o C E Paysandu e Fluminense. Aposentado, Ministro da Eucarístia, Coordenador da Litúrgia, dos Coroinhas e do Conselho Pastoral Comunitário – CPC.Como foi sua infância e juventude?
Minha infância foi na lavoura, pescar e ir à escola – Escola Mista Municipal de Zantão. Aos 14 anos ingressei na Tecelagem Santa Luzia; aos 20 anos fui para a Renaux, permanecendo até obter o benefício previdenciário em novembro de 1991. Minha juventude era ia as tardes dançantes, registre-se, que a cada domingo era feito, tarde dançante na casa de uma família – era um rodízio.
Como conheceu a Trude?
Visitava, frequentemente, um tio – Pedro Virtuoso –na Limeira Alta e numa dessas visitas encontrei a Trude, namoramos por 6 meses e subimos ao Altar.
Como surgiu o engajamento à comunidade religiosa?
Meu pai ajudava a comunidade de Santa Cruz do Redentor –Zantão; apreciando a missão de meu velho pai, acabei acompanhando; Há 25 anos - fui catequista dos coroinhas, catequista da primeira comunhão, Secretário da Diretoria na gestão de Lauro Mazzolli, e Presidente de 87 a 92, Ministro, Catequista e Coordenador de Liturgia e Coordenador do CPC e Ministro da Eucaristia.
Como foi sua gestão, como Presidente da Comunidade Santa Cruz do Redentor, de 87 a 92?
Na minha gestão, ampliamos a Igreja, adequamos a cozinha com vistas ao atendimento nas festividades, procurei expandir as pastorais de Jovens, Catequeses, Ministros, Canto e Litúrgia, também os movimentos: Cursilho, RCC (Renovação Carismática Católica) e o Apostolado da Oração.
Grandes nomes na comunidade do Zantão?
Entre outros, destacaria: Reinoldo Vierwiebe, popular Nena – doou o terreno para a comunidade, Ramiro Cabral e Silva – primeiro presidente, Elpídeo Eccel – iniciou a comunidade com a colocação da Cruz e, mais tarde foi feito uma capelinha de madeira, denominada Santa Cruz do Redentor, no conhecido Moro Pelado, João Andrine – Zelador da Igreja, Antônio Gripa, Romano Schorch, João Paduani, popular Janga, José Gattis – Capelão, Pedro Eccel – inclusive a esposa dele foi Catequista, Inácio Andrine, Osvaldo Maçaneiro, popular Dinho – Ministro.
Quais os Padre que já exerceram o clero na Comunidade de Santa Cruz do Redentor?
Valdemar do SCJ e do PIME (Pontífice Instituto Missionários do Exterior), os Padres: Carlos Colombo, Jorge Pedemonte, José Negri, hoje Bispo Auxiliar de Santa Catarina, Graciano Rota, Francisco da Silva, Pedro Zilli, Luciano Morandini, Alberto Garutte, Castrese Aleandro e atualmente, Bruno Brugnolaro.
Quem já presidiu a Comunidade de Zantão? Quem eram os moradores naquela época?
Ramiro Cabral e Silva, Elpídeo Eccel, João Paduani (Janga), Antônio Gripa, Luiz Reis, Anastácio Gattis, Lauro Mazzolli, João Fuzon, Valcides Wanka, Antônio Gattis, Mário Eccer, Roberto Vierwiebe e atualmente Marcelo Coelho.
Como era antigamente a localidade de Zantão? Quem eram os moradores naquela época?
A localidade se caracterizava existirem diversos engenhos: Pedro Tarter, João Marchewsky, Nena Vierwiebe, Augusto Gripa. Ainda o Sr Luiz Reis levava mandioca para a Fecularia dos Debatins, em Águas Claras; tinha também uma Tafona de João Gripa e um alambique. Os primeiros moradores foram: os Weyrmann, Francisco Uller, Henrique Gonçalves, João Marchewsky, Ana e Alvina Vierwiebe, Germano Vierwiebe, Luiz Eccel, Ângelo Paduani, Marta Venske, Ramiro Cabral e Silva, Estevão Cabral e Silva.
A TV está acabando com a educação dos filhos e netos?
Sem dúvida alguma, não adianta os pais orientarem os filhos, a TV estraga tudo.
Está correto um filho trabalhar somente aos 16 anos? Ou estamos criando bandidos?
Com certeza, estamos criando bandidos, nossos representantes deveriam rever essa posição; um jovem deve estudar e trabalhar desde cedo, evitando os perigos na ociosidade.
A Administração Ciro Marcial Roza?
É uma administração boa para a localidade de Zantão, inclusive, recebemos o asfaltamento, acabando com àquela incomoda poeira.
O Brasil tem acerto?
Tem, desde que iniciamos a escolher melhor nossos representantes; sempre acreditando e com firmeza na fé.
Lazer?
Tenho uma pequena horta, crio alguns frangos e porcos, assisto os noticiários, programas de humor e, diariamente, estou envolvido com nossa comunidade.
Referências
- Matéria publicada em A VOZ DE BRUSQUE, em 04 de agosto de 2007.
Benta Guilhermina Boni -
Comunidade de Madre Paulina
BENTA GUILHERMINA BONI - Popular Irmã Benta: Filha dos saudosos José Boni Júnior e Guilhermina Setti Goni; natural de Brusque, nascida aos 08.05.42; São em treze irmãos: Arthur (in memoriam), Lúcio (in memoriam), Estandislau (in memoriam), Agostinho, Alzira (in memoriam), Ida Maria (in memoriam), Terezinha, Vanete , Luiz e Benta e, mais três que faleceram ainda pequenos.. Administradora do Mosteiro Park Hotel; profissão de fé em 21.01.65.Como foi sua infância e Juventude?
Brinquei muito: na beira do rio, com boneca, freqüentei a Escola Reunidas Norma Ribus Pessoa, em Águas Claras, até a quarta série, fui para Nova Trento, refiz a quarta série, no sentido de fortalecer a base, com vistas a admissão, em seguida fui para Ourinhos/SP, onde fiz a admissão, ali também iniciei o ginasial; fiz o curso de auxiliar de enfermagem. Em seguida, cursei o segundo grau em Fraiburgo/SC, o Postulantado em Avaré/SP, o noviciado em Indaiatuva/SP e também a irmandade - Irmã Como era a vida de seus pais? O pai foi uma pessoa muito séria e muito trabalhador e a mãe, muito legal; costurava e ajudava nos serviços de casa. Pai e mãe foram bons... muitos bons!
Como surgiu a religiosidade em sua vida?
Um certo dia, a tia Vicentina, irmã de minha mãe – convidou um sobrinha para tal missão – coloquei-me à disposição, só que era muito novinha, mesmo assim, acabei indo por um ano para Capão Bonito/SP, retornei para Santa Catarina, e após um ano fui para o Juvenato, em Nova Trento e na sequência, acabei sendo irmã.
Fez curso superior?
Fiz a faculdade de Administração de Empresas, tendo iniciado em 82, em Palmas/PR e terminado em Cuiabá/MT.
Grande nome na religiosidade?
Um grande exemplo de vida e doação foi a Santa Paulina.
Alguma decepção?
Não, em realizei na vida religiosa, como sempre quis.
Recomeçaria tudo?
Sim, tranquilamente, me sinto muito feliz no que segui.
A serviço da religião já foi a outros países?
Já fui a Nicarágua, Guatemala, França – Igreja Nossa Senhora de Lourdes, Itália, em Vígolo Vataro, onde nasceu Santa Paulina.
Irmã deveria casar?
Não deveria. Se é uma opção de vida, é uma opção de vida!
Tem como Deus perdoar tantos pecados do ser humano?
As injustiças e infidelidades eu acredito que Deus sendo Pai, ele perdoará, só que a humanidade tem que mudar. Não pode continuar assim.
Como definiria o Santuário Santa Paulina?
Um lugar de encontro e oração; lugar de prece, da súplica e da gratidão.
O que está sendo planejado par ao Santuário Santa Paulina?
Entre outras coisas, está sendo planejado a Casa das Graças, a réplica da casa de Santa Paulina, um Shopping, visando atender com mais qualidade os fiéis que se deslocam até aqui.
Lazer?
Gosto de assistir o noticiário, programas de humorismo e bons filmes, quando sobra um tempinho e gosto também de praia.
Referências
- Matéria publicada em A VOZ DE BRUSQUE, em 23.03.2007.
Padre GIORGIO PEDEMONTE
Orientação espiritual
O
entrevistado desta semana é o Padre GIORGIO PEDEMONTE nascido
em Gênova (Itália) aos 21/08/1939. Conheceu e entrou no PIME
(Pontifício Instituto das Missões para o Exterior), onde frequentou
o ensino médio, filosofia e teologia, tendo sido ordenado Sacerdote
aos 26/06/1965: 49
anos de sacerdócio.

Nosso
entrevistado, Padre Giorgio Pedemonte
O que o
sr sonhava em ser quando era criança?
Eu
nasci quando estourou a segunda Guerra Mundial. Isto influenciou
muito nossa vida e nossos sonhos: meu irmão mais velho pensava ser
militar, o do meio queria ser médico e eu me tornar padre.
Como
foi a educação recebida de seus pais?
Meus
pais eram católicos fervorosos e praticantes: isto ajudou muito a
enfrentar aquelas situações de perigos e de medo. Nunca me pediram
se quisesse ser padre, mas o clima que se respirava em casa ajudou a
amadurecer o meu sonho.
Pessoas
que influenciaram?
Os
meus pais, o Pároco e um missionário do PIME que de vez em quando
nos visitava, contando de sua vida missionária na Birmânia. O meu pároco era pe. Gaetano Canepa e o missionário era pe.
Rizieri Badiali.
Como
amadureceu a vocação sacerdotal e missionária?
Dentro
deste clima favorável foi lendo revistas e livros de missionários
que com alegria doavam a vida pelos pobres e necessitados em outros
continentes. O convite de Jesus “Ide pelo mundo inteiro e pregai o
Evangelho a todas as criaturas” ressoava constantemente no meu
coração. Até que um dia, lendo um livro do missionário Raoul
Follereau encontrei duas frases que abriram o sentido e o futuro da
minha vida: “O maior desastre que pode acontecer na tua vida é não
ser útil a ninguém e que tua vida não sirva a nada”. E mais:
“Deixo uma herança para você jovem, o bem que deveria ter feito e
que não tive tempo de fazer”.
Como
foi sua vinda para o Brasil?
O
Instituto missionário PIME trabalha nos cinco continentes e seus
membros estão disponíveis para trabalhar onde for necessário,
logo fui destinado ao Brasil, tendo chegado de navio cargueiro em
Santana-Macapá aos 31/10/1965 e lá permaneci até o ano 1983.
Naquela época toda a Prelazia de Macapá era confiada ao PIME.
Que
lembranças têm do trabalho missionário em Amapá?
As
lembranças mais bonitas daqueles 18 anos de trabalho missionário no
Amapá (então Território Federal) se referem aos primeiros sete
anos na grande paróquia de Mazagão, que compreendia também muitas
ilhas da foz do rio Amazonas pertencentes ao estado do Pará. A
convivência fraterna com o pe. Ângelo Bubani fazia esquecer o
cansaço e os perigos daquelas longas e continuas “desobrigas”
(viagens missionárias) para visitar as populações ribeirinhas,
enfrentando, num pequeno barco, as maresias nas ilhas do Rio
Amazonas.
Em
que Paróquias já serviu?
Trabalhei
em várias paróquias: Mazagão, Santana, São Benedito... e na
administração da Prelazia.
Para entender “ Prelazia de Macapá” precisamos lembrar que naquela época (1965) Macapá era a capital do então Território Federal do Amapá que hoje é o estado do Amapá. Também para a Igreja o TFA ainda não era Diocese mas Prelazia (= diocese em formação)
Quando foi transferido para Santa Catarina?
Em
1983 fui transferido para Santa Catarina, como diretor espiritual no
seminário colegial do Pime em Palhoça e em 1989 passei, sempre como
diretor espiritual, no seminário filosófico de Brusque.
O sr esteve na terra do sol nascente. Como
foi a designação para pregar a assistência humana e espiritual
na terra aos japoneses?
Tendo
surgido o problema dos “Dekaseguis” (descendentes de japoneses,
nascidos no Brasil ou em outros países latino-americanos) que
migravam para o Japão a fim de fazer seu “pé de meia”, em 1993
fui ao Japão para dar assistência humano - espiritual a estes
migrantes temporários que, não conhecendo a língua japonesa, não
podiam ser atendidos pelos missionários do Pime ou de outras
congregações. Lá fiquei até o fim do ano 2000.
E
o retorno ao Brasil e ao berço da fiação catarinense?
Voltando
ao Brasil fui destinado a trabalhar na paróquia - basílica de Vila
Xavier em Assis – SP. Em seguida - em junho 2004 – segui o
caminho de Ibiporã – PR, na paróquia N.S.da Paz. Aos 04/09/2005,
o Bispo Dom Albano Cavallin dividiu a paróquia N.S. da Paz e criou a
nova paróquia São Rafael: pe. Giorgio foi o primeiro pároco. Em
seguida, de agosto de 2011 a agosto de 2013 fui reitor do conjunto
Pime em Ibiporã e em setembro 2013, fui escalado para trabalhar na
paróquia São Judas Tadeu em Águas Claras onde me encontra até
hoje.
Padre
Giorgio com
crianças japonesas em YOKOHAMA-shi (Kanagawa-ken
(uma
província
do Japão
localizada na região de Kanto,
ilha de Honshu. Tem
a cidade de Yokohama
como capital.
-Administrando batismo em FUJYOSHIDA-shi (Yamanashi-ken) (Fujiyoshida é uma cidade japonesa
localizada na província de Yamanashi )
O que
acha dos jovens de hoje?
Eu
nunca fui pessimista na vida. Aprecio e admiro tantos jovens que
conheço e entendo que para eles, nesta época, é mais difícil do
que nos meus tempos de juventude porque hoje em dia o mundo nos ilude
com muitas coisas que nos fazem esquecer os verdadeiros valores que
dão sentido à vida.
Quais
as parábolas que mais gosta?
São
muitas, mas aquela que mais gosto e me consola a encontramos no
evangelho de Marcos 4,26-28: “O Reino de Deus é como um homem que
espalha a semente na terra. Depois ele dorme e acorda, noite e dia, e
a semente vai brotando e crescendo, mas o homem não sabe como isto
acontece”.
Em todos
estes anos de sacerdócio - missionário, quando vou dormir digo a
Jesus: “também hoje fiz o que eu pude, agora enquanto durmo, faça
o resto que eu não consegui fazer”.
“amizade com as famílias, prioridade de sempre”.
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